O Evangelho de Cristo

 

"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.  Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé. " Romanos 1: 16 e 17.

 

“Suspenso na cruz, Cristo era o Evangelho. ... ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’ João um: 29. Não conservarão nossos membros de igreja o olhar no Salvador crucificado e ressurreto, no qual estão centralizadas suas esperanças de vida eterna? Esta é nossa mensagem, nosso argumento, nossa doutrina, nossa advertência ao impenitente, nosso encorajamento para os que choram, a esperança para todo crente.” SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 1113.

 

Antes de apresentar um estudo objetivo acerca da doutrina da salvação, é necessário enfatizar sua importância entre as demais doutrinas do cristianismo. Começando pela perspectiva apostólica, passando pelos Reformadores, chegamos aos nossos dias. À luz de muitas declarações do Espírito de Profecia que incentivam a reflexão, estamos felizes em saber que esta mensagem cumprirá plenamente seu propósito. Somos gratos a Deus por essa certeza.

 

Todos os que compreendem a perspectiva divina têm a clara convicção de que esta mensagem constitui a espinha dorsal do corpo de doutrinas da fé cristã.

 

 

Perspectiva paulina

 

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho... Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue Evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema... Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo.” Gálatas 1: 6, 8, 11 e 12.

 

Um estudo analítico e profundo da teologia de Paulo, apresentado nas epístolas dele, leva-nos claramente ao centro de seu pensamento teológico: O Evangelho de Cristo o alcançou por meio da revelação de Jesus Cristo. Tendo sido fruto da revelação divina, ninguém, nem mesmo um anjo do Céu poderia fazê-lo renunciar essa convicção. Assim, Paulo escreveu: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gálatas 1:8.

 

Esta declaração mostra o ponto central e a importância que Paulo dedica ao Evangelho de Cristo entre as demais doutrinas cristãs. Isso indica que, para o apóstolo, o Evangelho de Cristo – justificação pela fé/salvação somente pela graça – é o núcleo em torno do qual gravitam as outras doutrinas. Portanto, o desagrado de Deus repousa sobre a tentativa de subordinar esta doutrina a qualquer outra doutrina. Se alguém procurar ir além do que Cristo revelou a Paulo, ele diz: “Seja anátema.”

 

Mesmo o leitor superficial perceberá que as expressões “em Cristo Jesus”, “na graça de Cristo” “por Cristo Jesus” são encontradas nas epístolas, e em quase todos os capítulos, evidenciando ser Cristo o tema central, não apenas dos sermões de Paulo, mas, acima de tudo, o lema da vida dele. O que ocorreu bem cedo em sua experiência ministerial cristã foi o que o motivou a tomar uma decisão inteligente, notável, digna de ser imitada por todos os ministros de Cristo hoje: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” 1 Coríntios 2:2.

 

 

 

Perspectiva dos reformadores

 

O sistema de doutrinas de Lutero e outros Reformadores, tão rico e diversificado, tem, igualmente, um centro. A partir dele, tudo o mais torna-se fácil, convincente, evidente. O próprio Lutero mostra que esse centro é a doutrina da justificação pela fé, a “única Rocha sólida” sobre a qual a igreja repousa: “Cristo deseja que nossa atenção seja centrada nesta doutrina principal, nossa justificação diante de Deus, para que creiamos nEle.”  Luther’s Works, vol. 23, pág. 109.

 

Lutero entendia que a igreja somente podia ser definida como igreja se tivesse compreensão correta a respeito da justificação pela fé. Tudo o mais era secundário. Sem o entendimento exato a respeito deste assunto, toda igreja cairia em formalismo morto. De acordo com Lutero, este é o ponto sobre o qual toda a questão deve ser decidida.

 

Para Johannes Bugenhagen, amigo de William Tyndale, existe um centro absoluto de vida e doutrina, o qual é o tema da justificação pela fé. A declaração dele, convincente, era de que Cristo, nossa Justiça, é a única doutrina cristã. Calvino, Zuínglio, Melâncton, Lefèvre, Farel, e outros, todos mantiveram a mesma posição: a justificação unicamente pela fé é a base de toda doutrina verdadeira.

 

Este assunto, justificação pela fé, não é simples ponto doutrinário. Trata-se do ponto central, não estabelecido por Paulo ou Lutero, mas revelado pelo próprio Jesus Cristo. Os reformadores não criaram este centro. Eles apenas o descobriram. Isto abalou o próprio fundamento de Roma e, em poucos anos, revolucionou o mundo.

 

Pastor Davi Paes Silva.

 

Presidente da Conferência Geral dos Adventistas do 7º Dia Movimento de Reforma.

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